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/c/ - Cultura

Cinema, Música, Literatura, Anime, e Discussões Culturais
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 No.19[View All]

Fio de literatura ? Fio de literatura.
Tudo dedicado a literatura : livros e crítica, experiências e iniciativas e tudo o que se enquadre no tema.

Tópico de algibeira : o que estão a ler ?
>Ilíada
>Nome da Rosa
>The Iron Tree


>asq de vez em quando queres ler mas não sabes o que ler por ter tantas opções



Quem é que /bookcrossing/ aqui ?
Ao pé da biblioteca cá da cidadezita há um spot de bookcrossing. Têm o hábito de passar por lá e trocar livros ? E registar um no site da Internet e deixar num lugar aleatório. ?
159 posts and 13 image replies omitted. Click reply to view.

 No.1781

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>>1777
OP aqui, vi o fio na segunda página e acabei por ficar desmotivado. Esqueci-me completamente que o fio existia e vim ao /c/ por engano. Obrigado por reviveres o fio.
Desde a última vez que postei ( >>1410 ) li:
>A gaia ciência, Nietzsche
Achei fácil de ler, mesmo sendo um livro de filosofia. Isto porque acho que o livro está bem partido. Tem parágrafos pequenos sobre vários assuntos. É muito interessante
>As crónicas de Nárnia:O Cavalo e o seu Rapaz, C.S Lewis
Li quando era miúdo e reli em Junho. Nada por aí além.
>A Guerra da África, Julio Cesar
Tirei da loja do Kobo de graça. É um livro muito bom, gostei muito de ler. É sobre a parte da guerra civil romana passada em África
>Pornland: How Porn Has Hijacked Our Sexuality, Gail Dines
De novo, muito interessante, mas acho que muita gente no chan não ia gostar. É praticamente uma leitura feminista. Faz uma leitura sociológica dos efeitos da pornografia e como a sexualidade de jovens e adultos é afetada pela sua popularidade. Também conta a história de como a pornografia se tornou um elemento normal do quotidiano.
>Cyanide And Happiness: I'm Giving You The Finger
Não há muito a dizer aqui. É só um livro com 150 tirinhas Cyanide & Happiness. Tem a sua piada e lê-se em menos de 2 horas. Pica é uma das tirinhas do livro
>A Família que foi para a guerra
Outro que veio grátis da loja da Kobo. Pensei que ia ser um romance merdoso pela descrição ( que dizia que o livro era sobre uma família que teve seis jovens na primeira guerra mundial - irmãos e primos ) mas era antes um livro histórico. Não tem nada de mais, mas foi interessante de ler, ao contrário de muitos livros
>A Genealogia da moral: além do bem e do mal
Comecei a ler porque uma pesquisa anterior me falou deste livro como muito interessante. Algumas das ideias que apanhei eram-no, mas 70 a 80 % do livro passou-me ao lado.
É bom ter um e-reader por isso. Arranjei o livro grátis na project gutemberg e pude ler sem maiores chatices
>The Secret Lives of INTJs, Anna Moss
Alguns meses antes de começar a ler, tinha feito o teste de personalidade de Myers Briggs ( https://www.16personalities.com/free-personality-test ) e achei interessante como bastantes padrões comportamentais meus foram atribuídos ao meu tipo de personalidade. Comecei a pesquisar sobre o assunto e meses depois encontrei este livropor acidente ( também on-line, mas não na gutenberg ). Acho que é fantástico ver como os tipos de personalidade são descontruídos e penso que leituras deste género são importantes numa ótica de auto-conhecimento, auto aceitação (não que tenha problemas com isso, mas acho reconfortante saber que há mais gente como eu) e para nos compreendermos uns aos outros ( sempre achei que era estúpido as pessoas dizerem-me que estava muito a pensar muito à frente. Afinal de contas, este é um traço do meu tipo de personalidade e aquilo que me diziam é também um traço de outro tipo de personalidade. Não é que alguém esteja errado, antes lidamos com situações de maneiras diferentes)
Mas como é de esperar, o livro generaliza muito e peca por isso. Também perde a maior parte da tinta a falar de personagens de livros e séries e a discutir se estes são ou não INTJs e isso acaba por ser repetitivo e chato.
>O processo, Franz Kafka
É sobre valorizado. Não achei que tivesse uma estória muito boa, mas antes enfadonha. Mas tem aspetos muito bons : as representações das personagens (o advogado como o gajo chato com a mania, o artista como alguém interessante, o facto de os burocratas pouco se importarem com o constrangimento que causam, e outros) e as críticas à burocracia feitas de forma implícita. Mas admito que não gostei muito.

A Ler agora:
>Problemas de Português com soluções, Helena Rebelo
A autora do livro compilou erros ortográficos, morfológicos, semânticos e de sintaxe cometidos num título de imprensa e analisa-os, propondo soluções. Fá-lo de forma simples e compreensível. Na nota introdutória diz-se que o livro foi feito para que qualquer pessoa de qualquer idade pudesse ler e não falha nisso. Comecei há poucos dias mas acho que vai ser uma leitura muito enriquecedora.

>Para ler no futuro

>Guerra e paz
Já tem muito desde que quero ler. Só ainda não li porque não me encontrava na melhor situação para o fazer, mas acho que vou começar assim que acabar este que estou a ler agora.
>Complete Chess Course, Fred Reinfield
Sempre gostei de Xadrez mas nem sempre fui o melhor. Fiz download deste livro por torrent - novamente, encontrei-o sem querer - e tenho interesse em lê-lo.
O que me preocupa é que me parece ser um livro grande. O .epub tem mais de 500 páginas. Não se algum dia vou ler, porque talvez prefira ler outros. Mas ainda tenho que ver.


Há outros que quero ler ( tenho mais ou menos 20 no meu to-read) do goodreads, mas não vou por aqui todos ( pelo menos neste post) mas entre eles estão a Odisseia ( sou fã de poesia Homérica) Maravilhoso mundo novo ( que parece uma distopia à lá 1984), e o Estrangeiro de Camus ( há seis meses li o Mito de Sísifo e vim a saber que o Estrangeiro é quase a mesma coisa, mas em forma de Romance, e acredito que isso me daria uma compreensão mais aprofundada do que é ser o homem absurdo.


Alguém teria interesse em fazer troca de livros por correio ?

 No.1788

Como é que ficam a conhecer novos livros danones ? Que tipos de livros costumam ser ? Vomo é que os adquirem ?

 No.1794

Que acham dos ensaios da fundação, danones ?

 No.1805

>>1794
Olha maninho, tenho-os todos.
Aquilo é barato e de vez em quando em quando são extremamente interessantes e geralmente muito bem escritos. Costumo comprar quando vou ao PD e levo-o para ler no metro para o trabalho.
Claro que existem sempre uns quantos intragáveis, mas no geral aquela merda é das melhores iniciativas privadas para o bem geral e conhecimento do país.
Não te esqueças dos retratos da fundação se o assunto te interessar, conseguem ser mesmo muito bons. Adorei o dos Lobos "Malditos" o "Guardas das Passagens de Nível" e "Os últimos Marinheiros". Os retratos, ao contrário dos ensaios, são narrações e histórias reais sobre um tema qualquer. Cumps.

 No.1807

>>1805
publicação de qualidade

 No.1822

Bons livros editados ao longo deste ano?

 No.1837

A minha namorada fez anos na quinta feira e dei-lhe como presente A Metamorfose do Kafka
Vou lê-lo enquanto ela o lê. Já três páginas e já me parece interessante

 No.1840

>>1822
Tem sido best seller o Sapiens: Uma Breve História da Humanidade

Mas depois fui pesquisar e vi que não foi editado este ano, mas em 2014

 No.1854

Estou a ler o the manipulated man. Aconselham algum depois deste?

 No.1855

>>1854
no mesmo estilo, mas mais atualizado e mais objetivo

"The Rational Male – Preventive Medicine, Rollo Tomassi"

Consegues sacar bem em pdf da net, mas não versão em PT

 No.1856

>>1855
Em pt não há nada?
Não me aguento em inglês com um livro (uma vergonha, eu sei)
Entrava a querer ler o on desire mas mais uma vez não há edição em pt. Pelo menos eu não encontrei pelas internetes

 No.1864

>>1856
>Não me aguento em inglês com um livro (uma vergonha, eu sei)
É uma questão de hábito, maninho.
Olha, começa pelo "O velho e o mar" do Hemingway, visto que é curto e se calhar já o leste na escola, e vais perceber o quão merda é a tradução.

 No.1866

>>1856
Eu sei que é deprimente, mas com a exceção de best sellers camones, as editoras portuguesas só pegam em merdices que não interessam a ninguém, a não ser claro aos editores.
Para se estar a par do que se passa é necessário ler bem em inglês..e ter a presença de espírito para não interpretar tudo literalmente e fazer a devida relativização cultural.

 No.1867

>>1781
Muito bom, obrigado pelo post

 No.1868

>>1867
Desde esta altura li:
>O Príncipe, de Maquiavel
>Da Ditadura à Democracia, Gene Sharp
>A Quinta dos Animais, George Orwell
>A metamorfose, Franz Kafka
Também comecei um livro da Fundação Francisco Manuel dos Santos da época em que eles os estavam a oferecer
>Sobre a Morte e o Morrer, Walter Osswald
Esta coleção parece-me que tem alguns temas interessantes, embora ache que fui demasiado imaturo para apreciá-los, e são bastante baratos para o que parecem trazer : 3,15€ no Pingo Doce, na loja do Kobo são 2,49€ O problema é que costumam ter uma disposição física terrível. As letras são demasiados pequenas, mas percebe-se. É para poupar papel e fazer o livro mais fino e isto tudo para ajudar a vender. ( o que pode ser ou não justo, mas enquadra-se nos objetivos da fundação)

 No.1869

>>1866
Em geral, acho que estou de acordo contigo. A maior parte dos livros traduzidos são best sellers americanos, e muitas vezes são romances que não são nada por aí alé, além dos maos populares que já têm uns anos.
Acho que se fores ao Continente, a maior parte dos livros que encontras mostra isto. Mas acho que também têm alguns livros interessantes por lá.

 No.1879

Boas pessoal, daqui a nada sai o Oathbringer para a malta que ainda não chegou aos 50 anos e ainda pode ler cenas que não sejam grandes clássicos da filosofia do século XVIII.

 No.1880

>>1879
Vi algumas sínteses. Não parece ser muito interessante.

Kels cumpz

Mais uma coisa
>começar uma posta por Boas pessoal

 No.1881

>>1880
Boas pessoal é infinitamente mais patrício do que chunguisse irónica.

 No.1882

>>1881
És youtuber ou quê ?
Então não digas boas pessoal

 No.1945


 No.1946

>>1945
Parece ser interessante, mas tem ar de ser demasiado /pol/aco.
Não parece ser polifónico, mas não é por isso que deixa de ser desinteressante.

 No.1947

Nestou momento estou a ler:

O filósofo e o Lobo, Mark Rowlands
Conta a sua vida durante os 11 anos em que teve um lobo como animal de estimação

As Nuvens, de Aristófanes
Um velho endividado por causa do filho vai tentar aprender retórica na escola de Sócrates. Quando não consegue, envia o seu filho no seu lugar

 No.1954

Fome, de Knut Hamsun

Ainda não comecei a ler mas já estou a ver prefácios dr várias edições. Parece ser sobre um escritor que chega a uma cidade e tem de escrever para comer, mas tem de comer para escrever.

 No.1958

>>90
Sobre isso há li Os Empregados de Siegfried Kracauer, é curto e bom.

 No.1989

>>1954
Do Knut só li o Pan, e gostei qb.

 No.1990

>>1989
Esta tem sido uma leitura bastante interessante, na verdade. É sobre a necessidade e seus efeitos sobre o ser humano.

 No.2068

Acabei há uns dias de ler o Siddartha, do Herman Hesse
Acho que é um livro com pontos de vista muito interessantes sobre o saber. Se bem que ao ir ver uma análise na Internet, reparei que muitas relações ficaram por ver. Dá que pensar: será que foi o livro que não foi claro o suficiente, ou eu que não estou habituado a tópicos do género?


Comecei agora a Odisseia ( a tradução do Frederico Lourenço) e está a ser muito bom, embora só vá no início do Canto III.


Acho que depois deste vou ler 'Getting Off: Pornography and the End of Masculinity'. Já li literatura anti-porn, mas foi de um ponto de vista feminista. Este acho que será diferente.



E vocês, danones, que andam a ler?

 No.2069

>>2068

E que achaste dessa literatura anti-porn danone? Útil? Conta aí algumas conclusões que tenhas tirado de lá.

Eu estou a ler o "Leaves Of Grass" do Walt Whitman e "A Cultura-Mundo" do Gilles Lipovetsky e do Jean Serroy.

Também tou pra ler o "Siddartha" há demasiado tempo, achas mesmo que vale a pena lê-lo ou mais vale cagar naquilo?

Cumps e boas leituras.

 No.2070

>>2068
Comprei ontem o Humus do Raul Brandão.
Não faço a mínima de onde me vou meter, não conheço nada dele.

 No.2072

>>2069
>Também tou pra ler o "Siddartha" há demasiado tempo, achas mesmo que vale a pena lê-lo ou mais vale cagar naquilo?
Não sou esse anon mas não, não cagues no livro. Mesmo que não fiques fã, é um bom livro.

 No.2073

File: 1517244357713.epub (290.05 KB, Pornland - How Porn has H….epub)

>>2069
>E que achaste dessa literatura anti-porn danone? Útil? Conta aí algumas conclusões que tenhas tirado de lá.

Achei muito bom. Dá a conhecer muito do que acontece para além das câmaras. Coloca certas partes da indústria em perspectiva. A tese principal do livro é a de que a pornografia está a roubar a sexualidade das pessoas e isso não é bom. O problema principal que daí resulta é o de se procurar imitar aquilo que se vê na pornografia, o que contribui para a degradação da condição feminina. Isto porque na pornografia as mulheres são representadas como meras escravas sexuais, que só servem para dar prazer ao(s) homem(ns). Daqui surgem problemas nas relações, na compreensão da realidade, nos hábitos sexuais de cada um, entre outros.

Acho que não me expliquei muito bem, pois acho que me estou esquecer de muitos detalhes, mas aquilo é o núcleo do livro.E m todo o caso deixo-o aqui. Está em .epub, mas podes sempre convertê-lo para .pdf se te der mais jeito.



>Também tou pra ler o "Siddartha" há demasiado tempo, achas mesmo que vale a pena lê-lo ou mais vale cagar naquilo?

Ver: >>2072
É um livro muito bom, especialmente sobre introspecção. Só achei um bocado difícil de analisar, e fiquei até surpreendido com o que me passou ao lado quando fui ao Sparknotes.
Além disso, também é um livro curto. A edição que li tinha pouco mais de 150 páginas.



>>2070
Nunca ouvi falar do Raul Brandão

 No.2074

>>2073
Ah, e que falta de inteligência. Devia ter visto o índice antes deste post. Um assunto muito interessante que o livro também trata é o progresso da pornografia, desde a fase de taboo até se tornar comum. Também fala um pouco dos efeitos da pornografia sobre o homem, racismo e crianças.
A autora é uma ativista anti-porn e andou em palestras por várias universidades norte-americanas, durante as quais fez inquéritos a estudantes e aqui tens as conclusões que ela tira.

 No.2075

>>2070
Fica com isto, caso gostes
https://www.luso-livros.net/autor/raul-brandao/

A propósito, compraste esse livro numa livraria grande ? Tipo Bertrand ou Fnac ?

 No.2076

>>2074
>também fala um pouco dos efeitos da pornografia sobre o racismo

ah? o que é que a pornografia e racismo fazem na mesma frase

 No.2077

>>2075
Népias. Compro sempre na minha livraria de esquina do jardim da parada de campo de Ourique :3

Quando chegar a cada leio esse link.

Por acaso já tinha ouvido falar do Raul Brandão, mas não conheço nada de nada dele, até que ontem apanhei uma conversa na rádio (por causa do centenário) e fiquei muito, muito intrigado e desejoso de ler este livro. Espero que não desiluda.

 No.2078

>>2076
Fica com este excerto do livro
>Consider the August 2007 release of Long Dong Black Kong, which caused quite a stir in the porn industry with charges of racism for using the word Kong to describe the black male performer. Invoking the “only a joke” defense, Peter Reynolds, vice president of Adam and Eve, the movie’s distributor, recommended that “we should all not take ourselves so seriously,” as the “name is totally innocent.”1 Given the overtly racist titles of recent porn movies that feature black men—Hot Black Thug, Black Poles in White Holes, Huge Black Cock on White Pussy, and Monster Black Penises—the Long Dong Black Kong title does, at first glance, seem fairly tame by comparison. However, by referring to black men as monsters, this movie came too close for comfort for many porn producers. It exposed what the porn industry would prefer to keep below the surface—that black men are routinely depicted as monstrous in their uncontrolled desire for white women
>In porn, women of color are generally relegated to gonzo, a genre that has little glamour, security, or chic status. Here women have few fan club Web sites, do not make it to pop culture, and have to endure body-punishing sex. But while the sex acts are typical gonzo, the way the written text frames the sex is unique as it racializes the bodies and sexual behavior of the performer. In all-white porn, no one ever refers to the man’s penis as “a white cock” or the woman’s vagina as “white pussy,” but introduce a person of color, and suddenly all players have a racialized sexuality, where the race of the performer(s) is described in ways that make women a little “sluttier” and the men more hypermasculinized

>>2077
Tenho pensado em montar a minha própria biblioteca, mas a ideia com que fico quando vou à Bertrand e à Fnac é que são livros muito comerciais, talvez uma livraria mais pequena resolvesse o problema.

O link tem alguns dos livros em versão digital gratuita. Pode ser interessante para ti.

Em que estação de rádio ouviste falar nele ? Por acaso, foi na antena 2 ? Muitas vezes, ouço lá recomendações ( fica a dica )

 No.2079

>>2076
>ah? o que é que a pornografia e racismo fazem na mesma frase
Outro anão, mas imagino o que seja. Muitas actrizes recusam-se a fazer interracial pois isso estraga a imagem delas. Aliás, pornografia interracial é daquelas coisas que não é muito lucrativa mas que misteriosamente continuam a produzir. Basta ver a lista de parceiros da Pornhub e como aparentemente do nada Blacked tornou-se o site #1. Muito que se lhe diga e conspiradices à mistura.

 No.2080

>>2078
Não, foi no PBX da Radar.

 No.2081

>>2078
Já me esquecia.
É complicado o negócio das livrarias. Eu compro lá porque gosto do dono e das suas estórias. Mas bem vistas as coisas era mesma coisa que ir a uma grande superfície, já que quando não têm o que quero, encomendam e num dia ou dois tenho o livro.

Ou seja, ou tens alguma coisa que faça as pessoas quererem comprar no teu local, ou então é complicado lutar contra as grandes superfícies.

 No.2082

>>2081
Acho que também é uma sensação diferente, já que tens essa relação com o dono da livraria, não ? Suponho que a experiência seja incrivelmente diferente.

Também nunca comprei nenhum livro numa papelaria. Nunca li muito até há uns dois ou três anos, e o que tenho feito é
>bibliotecas
>download
Embora poupe dinheiro, não construo uma biblioteca física. Se um dia o disco rígido do meu computador pifar ( que acho que é mais provável que um incêndio ou inundação), lá se vai tudo o que tenho.
Também faço assim porque comprei um Kobo e acho que é super agradável de usar. Por vezes, até é mais confortável que um livro.

 No.2083

>>2082
Ya, o kobo é brutal, tb tenho um. Mas uso mais quando estou fora de casa. Em casa gosto de ler o livro físico.

Quanto a perder as coisas do disco, isso não faz sentido, qq conta de Google drive te faz um backup de 15G. Se não chega inventa mais uma conta.

Quanto a ir à livraria, ya, é diferente, mas pessoalmente acho que tens de ter sorte, já que a maior parte dos empregados lêem pouco, parece-me. Não que eu leia muito, mas alguns parecem todos atrapalhados com perguntas simples.
O interessante são mesmo os donos que têm a livraria por carolice, que sempre leram muito, que conhecem pessoalmente os autores etc.
Por exemplo, a livraria que falei é interessante também por causa da parte "escondida" que funcionava antes do 25 de Abril. Devido a isso o homem conheceu muitas pessoas interessantes etc. Ou seja, há ali uma história qualquer com aquele sítio, que me atrai, e me faz não importar se tenho de esperar mais um dia por um livro. Depois vou lá, dois dedos de conversa e vou para o jardim ler. É um hábito mensal, mais ou menos. Gostava que fosse mais vezes, mas os livros são muito caros para o bolso português.

 No.2084

>>2083
>
Quanto a perder as coisas do disco, isso não faz sentido, qq conta de Google drive te faz um backup de 15G. Se não chega inventa mais uma conta.
Sim, realmente, é uma ideia muito boa e devia procurar fazê-lo.

>Quanto a ir à livraria, ya, é diferente, mas pessoalmente acho que tens de ter sorte, já que a maior parte dos empregados lêem pouco

Também tenho esta impressão, embora nunca tenha falado com nenhum

>O interessante são mesmo os donos que têm a livraria por carolice, que sempre leram muito, que conhecem pessoalmente os autores etc.

Por exemplo, a livraria que falei é interessante também por causa da parte "escondida" que funcionava antes do 25 de Abril. Devido a isso o homem conheceu muitas pessoas interessantes etc. Ou seja, há ali uma história qualquer com aquele sítio, que me atrai, e me faz não importar se tenho de esperar mais um dia por um livro. Depois vou lá, dois dedos de conversa e vou para o jardim ler. É um hábito mensal, mais ou menos.
Boa história danone.

>Gostava que fosse mais vezes, mas os livros são muito caros para o bolso português.

Também tenho essa impressão. Aposto que o máximo que eu conseguiria fazer era por exemplo um livro por mês.
Mas acho que também é culpa do pessoal das editoras, que só veem €€ à frente. Já vi uma edição do Dom Quixote a 40€. O livro já nem tem direitos de autor.

 No.2090

Eu cá prefiro aquele em que o Asterix foi para o Egipto.

 No.2092

>>2090
Esse é muito bom.

Anon do "Humus" aqui.
Ainda não li muito, mas isto é indescritivelmente bom até agora.
A maneira como acelera e pausa o ritmo, as imagens e metáforas geradas… é maravilhoso.

 No.2093

>>2092
Muito bem. Tens interesse em aprofundar com citações aquilo que dizes ?

 No.2094

>>2093
>Debaixo destes tetos, entre cada quatro paredes, cada um procura reduzir a vida a uma insignificância. Todo o trabalho insano é este: reduzir a vida a uma insignificância, edificar um muro feito de pequenas coisas diante da vida. Tapá-la, escondê-la, esquecê-la. O sino toca a finados, já ninguém ouve o som a finados. A morte reduz-se a uma cerimónia, em que a gente se veste de luto e deixa cartões de visita. Se eu pudesse restringia a vida a um tom neutro, a um só cheiro, o mofo, e a vila a cor de mata-borrão. Seres e coisas criam o mesmo bolor, como uma vegetação criptogâmica, nascida ao acaso num sítio húmido. Têm o seu rei, as suas paixões e um cheirinho suspeito. Desaparecem, ressurgem sem razão aparente de um dia para o outro num palmo do universo que se lhes afigura o mundo todo. Absorvem os mesmos sais, exalam os mesmos gases, e supuram uma escorrência fosforescente, que corresponde talvez a sentimentos, a vícios ou a discussões sobre a imortalidade da alma.
>As paixões dormem, o riso postiço criou cama, as mãos habituaram-se a fazer todos os dias os mesmos gestos. A mesma teia pegajosa envolve e neutraliza, e só um ruído sobreleva, o da morte que tem diante de si o tempo ilimitado para roer. Há aqui ódios que minam e contraminam, mas como o tempo chega para tudo, cada ano minam um palmo. A paciência é infinita e mete espigões pela terra dentro: adquiriu a cor da pedra e todos os dias cresce uma polegada. A ambição não avança um pé sem ter o outro assente, a manha anda e desanda, e, por mais que se escute, não se lhe ouvem os passos. Na aparência é a insignificância a lei da vida; é a insignificância que governa a vila. É a paciência, que espera hoje, amanhã, com o mesmo sorriso humilde: — Tem paciência — e os seus dedos ágeis tecem uma teia de ferro. Não há obstáculo que a esmoreça. — Tem paciência — e rodeia, volta atrás, espera ano atrás de ano, e olha com os mesmos olhos sem expressão e o mesmo sorriso estampado. Paciência… paciência… Já a mentira é de outra casta, faz-se de mil cores e toda a gente a acha agradável. — Pois sim… pois sim.

 No.2095

>>2094
Cabem aqui seres que fazem da vida um hábito e que conseguem olhar o céu com indiferença e a vida sem sobressalto, e esta mixórdia de ridículo e de figuras somíticas. Mora aqui a insignificância, e até à insignificância o tempo imprime carácter. Mora aqui, paredes meias com a colegiada, o Santo, que de vez em quando sai do torpor e clama: — O inferno! O inferno! Mora um chapéu, uma saia, o interesse e plumas. Moram as Teles, e as Teles odeiam as Sousas. Moram as Fonsecas, e as Fonsecas passam a vida, como bonecas desconjuntadas, a fazer cortesias. Moram as Albergarias, e as Albergarias só têm um fim na existência: estrear todos os semestres um vestido no jardim. Moram os que moem, remoem e esmoem, os que se fecham à pressa e por dentro com uma mania, e os que se aborrecem um dia, uma semana, um ano, até chegar a hora pacata do solo ou a hora tremenda da morte. Moram os que enriquecem no fundo das lojas, onde as fazendas petrificaram. Mora aqui o egoísmo que faz da vida um casulo, e a ambição que gasta os dentes por casa, o que enche a existência de rancores e, atrás de ano de chicana, consome outro ano de chicana. Moram na viela íngreme e cascosa, que revê humidade em pleno verão, velhas a quem só restam palavras, presas, alimentadas, encarniçadas, como um doido sobre uma coroa de lata que lhes enche o mundo todo. Mora de um lado o espanto e a árvore; do outro o absurdo. E todos à uma afastam e repelem de si a vida. Moram aqui a D. Engrácia e a D. Biblioteca. Mora aqui a Teles que passa a vida a limpar os móveis, só e fechada com os móveis reluzentes, talvez resto de um sonho a que se apega com desespero, e velhas só mesuras, só baba, só rancor. Ter uma mania e pensar nela com obstinação! Criá-la. Ter uma mania e vê-la crescer como um filho!… Mora aqui a D. Restituta, sempre a acenar que sim à vida, e a Orsula, cuja missão no mundo é fazer rir os outros. Todos os dias a morte os leva, todos os dias toca a finados. O nada a espera e a D. Procópia a abrir a boca com sono, como se não tivesse diante de si a eternidade para dormir, e a D. Felizarda a invejar as plumas da D. Biblioteca. Tudo isto se passa como se tudo isto não tivesse importância nenhuma; tudo isto se passa como se tudo isto não fosse um drama e todos os dramas, um minuto e todos os minutos. Mora aqui a D. Hermengarda e a D. Penarícia — mania! mania! mania! — hoje, amanhã, sempre — e a morte joga com a regularidade mecânica de um pêndulo. Toda esta gente usa a vida como quem usa uma ninharia. Aí vem a Adelina… A Timótea se tivesse de envenenar a vila, envenenava-a às pinguinhas. Há os que se gastam como quem gasta uma pedra sobre outra pedra. O Félix procurador não avança palavra sem dobrar a língua, e conserva no escritório, em rimas de papel cobertas de pó, a história da ganância, da vida e da morte de várias gerações. O severo Elias deixa morrer a mãe à fome e todos os anos dá contos de réis aos asilos. Regula a consciência como quem dá corda a um relógio. Dívidas são dívidas. Tem regras fixas. Para não ver o céu dobra-se sobre livros exatos: de um lado Deve, do outro Haver. O drama do Anacleto é um drama respeitável, um drama por partidas dobradas, na máxima ordem e no máximo escrúpulo. Cabem aqui dentro as velhas cismáticas, atrás de interesses, de paixões ou de simples ninharias, dissolvendo-se no éter, e logo substituídas por outras velhas, com as mesmas ou outras plumas nos penantes, com os mesmos ou outros ridículos, fedorentas e maníacas; os homens a quem se foram apegando pela vida fora dedadas de mentira, prontos para a cova — e o Gabiru e o seu sonho. Cabe aqui o céu e as lambisgoias com as suas mesuras, a morte e a bisca-de-três. E cabe aqui também uma velha criada, que se não tira diante dos meus olhos. Obsidia-me. Carrega. Obedece.

Serve as outras velhas todas. A Joana é uma velha estúpida.

Serviu primeiro na vila, serviu depois na cidade. Serviu um antropologista exótico, que fundira cem contos a juntar caveiras, e de quem a Joana dizia ao amolecer-lhe os edemas dos pés: — Este senhor é um 2° Camões! Serviu a D. Hermínia e a D. Hermengarda. Serviu com uma saia rota, as mãos sujas de lavar a louça, uma camisa, os usos e seis mil réis de soldada. Lavou, esfregou, cheira mal. Serviu o tropel, a miséria, o riso, que caminha para a morte com um vestido de aparato e um chapéu de plumas na cabeça. Para contar fio a fio a sua história bastava dizer como as mãos se lhe foram deformando e criando ranhuras, nodosidades, côdeas, como as mãos se foram parecendo com a casca de uma árvore. O frio gretou-lhas, a humidade entranhou-se, a lenha que rachou endureceu-lhas. Sempre a comparei à macieira do quintal: é inocente e útil e não ocupa lugar, e não vem primavera que não dê ternura, nem inverno sem produzir maçãs. A vida gasta-a, corroem-na as lágrimas, e ela está aqui tal qual como quando entrou para casa da D. Hermengarda. Faz rir e faz chorar. Os meninos borraram-na — adorou os meninos. Os doentes que ninguém quer aturar, atura-os a Joana. Já ninguém estranha — nem ela — que a Joana aguente, e a manhã a encontre de pé, a rachar a lenha, a acender o lume, a aquecer a água. Há seres criados de propósito para os serviços grosseiros. Por dentro a Joana é só ternura, por fora a Joana é denegrida. A mesma fealdade reveste as pedras. Reveste também as árvores.
É uma velha alta e seca, com o peito raso. O hábito de carregar à cabeça endireitou-a como um espeque, o hábito das caminhadas espalmou-lhe os pés: a recoveira assenta sobre bases sólidas. Parece um homem com as orelhas despegadas do crânio e olhos inocentes de bicho. É destas criaturas que dão aos outros em troca da soldada o melhor do seu ser, que se apegam aos filhos alheios e choram sobre todas as desgraças. E ainda por cima dedicam-se, aturam os meninos, e quando as mandam embora, porque não têm serventia, põem-se a chorar nas escadas. — É preciso escodeá-la — asseverou a D. Hermengarda quando lhe foi em pequena para casa. Escodeia-a. Noite velha e já ela bate de cima com a tranca no soalho, a chamá-la. — E não te servindo a porta da rua é a serventia dos cães. Mas ela apega-se. Nunca teve outra ama como aquela senhora. Venera-a. Anos depois diz das pancadas: — Merecia-as. Já não é preciso chamá-la: a Joana ergue-se num sobressalto, alta noite, noite negra, e dorme com um olho fechado e outro aberto. Velha, tonta, abre de vez em quando os olhos, põe o ouvido à escuta num movimento instintivo, à espera de uma imaginária ordem: ouve sempre a voz da D. Hermengarda a chamá-la.
Mal se compreende que depois de uma vida inteira, esta mulher conserve intacta a inocência de uma criança e o pasmo dos olhos à flor do rosto. Trambolhões, fome, o frio da pobreza — o pior — e, apesar de amolgada, com uma saia de estamenha, no pescoço peles, as mãos gretadas de lavar a louça, uma coisa que se não exprime com palavras, um balbuciar, um riso… Misturou à vida ternura. Misturou a isto a sua própria vida. Aqueceu isto a bafo.

Tem as mãos como cepos.

 No.2096

>>2094
>>2095
Exímio danone, Obrigado

 No.2141

A ler
> O Forasteiro, Albert Camus
Li muito pouco, ainda. É para complementar a minha leitura do Mito de Sísifo.
> Getting off: Pornography and the end of masculinity
Parece um pouco radical e estou na dúvida se hei de continuar. Só li umas 3 páginas e numa delas o autor já escreve que uma multidão só não viola uma atriz pornográfica numa convenção porque havia uma barreira de seguranças.



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